És segurança alada em voo picado.
Significas o premente desejo de partir.
No temporal, és vento amainado.
Na fúria do mar, som de bramir.
És o sonho, a leveza, em ir e vir.
Sereno voo, por brisas bafejado…
Aliança eterna, com o mar profundo.
Habitante de margem, sem idade.
Atento perscrutador do mundo
num horizonte, sempre novidade.
És cortar de ondas, com temeridade,
espelho estilhaçado a cair no fundo…
Um pouco de mim és, gaivota perdida:
ciclando esperas, poisando rochedo,
cheirando odores de alga esquecida,
entre ácidos sons e incutido medo.
Mas vais singrando dias sem degredo
e passa latejando, fulgorosa, a vida.
Jesus Varela