terça-feira, 11 de janeiro de 2011

DE MIM... PARA MIM.

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Fotografia/Sentidamente

À BEIRA RIO

A brisa sorri ao Sol e agita na sombra,
a ausência do meu rosto,
longe! Tão longe de mim…

Num pairar sereno de gaivota,
a única promessa longínqua de vida!

Chap!... Chap!... entre espumas,
murmuram as águas do rio,
num monologar lento e frio!
A distância é só um passo,
com as grades de permeio…

Vida ou morte…
Qual receio?

Jesus Varela

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

TEMPO

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Fotografias / Sentidamente
Marcha impenetrável, escoar lento,
passando por cada qual!...
Abstracção, que momento a momento,
flui, em torrente sempre igual!...

Simbólico é este dia!
Na ilusão dos homens,
apoderaram-se do tempo…
E à noite, estala nos céus,
o seu festejar,
mais um ano,
que fizeram chegar!...

Ano Novo que nada inicia…
A corrente imparável, continua,
E sempre da mesma forma!...
Uns caem, envoltos em sonhos ardidos,
outros, nascem na esperança!

O tempo, indiferente, caminha
por entre, desagraves e temperança…

Jesus Varela

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

NATAL

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Fotografia / Sentidamente

Natal é sinceridade, postura, atitude!
É interior, crença, oração, sentir.
Naturalmente, sem pretender virtude.
É um estar onde é preciso, humilde, a sorrir.
É sempre viver de dentro para fora.
É estar pronto e disponível para amar.
É ser inteiramente vigilante, hora a hora,
Para reconhecê-lo quando chegar!...

Não é das luzes o encanto chamativo,
Nem dos coloridos, o deslumbramento,
Nem das compras em frenético afã,
De quem colhe para si este momento,
Esquecendo por completo o amanhã.

É o natural e nunca é o fabricado!
É a presença de corpo e coração!
É o estar lá, no momento esperado!
É o encontro! A troca! A comunhão!

Presépio… Família… Calor… Carinho.
Para ser Natal, é parte do caminho!

Jesus Varela

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

TEMPESTADE

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Fotografia/Sentidamente

Todo o dia o temporal,
Rugiu em fúria incontida
E numa cadência incerta.

Soprou forte o vendaval.
Água da chuva caída,
Varreu a terra deserta.

Instalou-se a trovoada,
Entre o raio que incendeia
E o ribombar do trovão.

A Terra treme assustada.
Como se perdida em teia,
Procura saída em vão.

As árvores a baloiçar,
Empurradas pelo vento,
Abanam de lado a lado.

E em constante soluçar,
Deixam escapar um lamento.
De sofrer descontrolado.

A vegetação rasteira,
Que o vento teima açoitar
E a água quer engolir.

Numa luta derradeira,
Não pára de ondular,
Parece que vai fugir.
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Os animais escondidos,
Em abrigo seco e seguro,
A coberto da tempestade.

Vão aguçando os sentidos,
Pois no seu labutar duro,
Ganharam sagacidade.

É a natureza a mostrar
Onde chega o seu poder
De criar e destruir.

O homem fica a olhar,
Pouco mais pode fazer.
É esperar o que há-de vir.

Jesus Varela

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

VERSO / REVERSO

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Fotografias / Sentidamente

Talvez! Este seja um dia último!
A paz venha fechar olhos cansados.
Paralisar dedos à ternura.
Marmorizar rostos aos sorrisos.
A matéria volte a ser pó,
E a terra mistura renovada.
O escuro, domínio de quadrantes.
E o tudo de repente seja nada,
Findo o individualismo solitário,
Da curta dimensão humana…

No espectro longo do tempo…
Contínuos ciclos se renovam!

O mar continua a estar ali.
As ondas desfazem-se na praia.
O vento sussurra nas palmeiras.
A roseira brava perfuma o ar.
O canto das cigarras amortalha a tarde.
A lua derrama pela terra,
O fantástico mistério da noite.
O galo saúda a claridade ao amanhecer…

Todos os dias nasce uma criança
E tudo começa de novo.

Jesus Varela

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SE UM DIA MANDASSE NAS ESCOLAS...

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Fotografias / Sentidamente

Sabem coisas difíceis os meninos:
sabem ler, escrever,
somar, diminuir, multiplicar.
Não faltam professores
que ensinam muitas coisas aos meninos.

Mas se um dia eu mandasse nas Escolas,
teriam de aprender, antes de mais,
a rir, a amar as flores,
e a abrir de par em par
as portas das gaiolas.

Fernanda de Castro

terça-feira, 16 de novembro de 2010

CRIANÇA

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Fotografia / Sentidamente

Sol de criança!
Brilha… aquece… ilumina,
essa tua vida de brincadeira!
De faz de conta! Mas que te ensina!

Amor de criança!
Dádiva plena e pura!
Carinho expresso num abraço,
todo ternura!...

Inocência de criança!
Pureza cristalina!
Crença segura e incondicional.
Grandeza…” pequenina”!...

Protecção de criança!
Missão sagrada!
Dívida contraída, honra empenhada!
Quantas vezes esquecida e descurada!

Jesus Varela

sábado, 6 de novembro de 2010

CINZAS VIVAS

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Fotografias / Sentidamente
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O barco mais velho!
Longe do mar conquistado,
vencedor e vencido, hoje abandonado…

A casa mais vazia!
Eco de risadas no tempo esvanecidas.
Solidão incrustada nas paredes feridas…

A noite mais escura!
Tardia de luares, ausente de estrelas.
Perdidos amores, nas horas mais belas…

A rua mais sombria!
Húmida de musgos escorregadios.
Empedrados prenhes de vazios…

O poema mais triste!
Expressão do vácuo sem sentido.
“O ausente” nas palavras revestido.

Mas... Nada ensombra a luz do dia!
Quando o sorriso teima em brotar
das cinzas ressequidas, ainda a germinar…

Jesus Varela

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A ROSA...

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Fotografia / Sentidamente

COM “O PRINCIPEZINHO”

Como o sorriso do coração não se vê,
pede aos lábios que o façam.
Pede às mãos que o mostrem…
Pede ao brilho dos olhos que o iluminem.
E usa palavras e gestos abundantemente…

É preciso não esconder o riso do coração!
É preciso mostrá-lo.
Semear e colher outros sorrisos…

É preciso não esquecer que:
O tempo da rosa,
É o tempo com a rosa,
É o tempo pela rosa.

Jesus Varela

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Surgiu-me um dia, como comentário, a uma amiga.“AGORA” senti uma enorme necessidade de vos transmitir.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

BALADA DE OUTONO

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Fotografias / Sentidamente
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O sol, no céu, brilhante,
Já derreteu a geada.
Amainando o frio cortante
Que desceu à madrugada.

Caídas das árvores nuas,
E em sono, ausentes de vida.
Folhas atapetam as ruas.
Qual paleta colorida.

Nos castanhos e amarelos,
A luz incide o seu brilho.
Por entre ramos singelos,
Raios solares abrem trilho.

Não há pássaros a chilrear,
Numa nota de alegria.
Não corta o céu a voar,
Qualquer ave, neste dia.

Ao silêncio da natureza,
Sobrepõe-se o mais soar.
É um homem, de certeza.
Lá muito ao longe, a falar.

E nesta beleza calma,
Carregada de nostalgia,
Eleva-se a minha alma
Em doce e triste sintonia.

Jesus Varela

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A UMA PARTIDA PRECOCE

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Fotografia / Sentidamente

Tristes choram os olhos,
muitas vezes sem se ver!

Ao tamanho de todas as dores
secaram lágrimas,
congelaram choros,
nas profundezas do ser…
Reino de enraizados afectos,
vivos ou ausentes,
sempre presenças…

E impõe-se a pergunta:
Dono da vida quem é?
Até onde chega o viver?

Certeza, só a alma humana…
Rochedo numa ilha solitária,
aonde vão batendo as intempéries…

Jesus Varela
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(Se nos liga uma grande amizade, sentimos as dores dos amigos. Assim senti e expressei, há alguns meses, quando uma família muito querida, perdeu um dos seus jovens).

terça-feira, 5 de outubro de 2010

MUNDOS DE POESIA

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(Homenagem da poetisa ao poeta, autor do desenho, uma ilustração feita para este poema)


CANÇÃO

Ó Poeta
deixa que tua alma seja transparente
como a luz da madrugada.
Nunca deixes afogar tua alma no pensamento,
é assim a tua estrada,
Íngreme, feita de escamas de vento!

Ó Poeta
deixa que tua alma vá p'lo espaço,
o espaço é pequeno, em tanta pequenez,
e se algum dia a sentires desfalecer
pega-lhe no braço.
Ela é feita de NADA e o NADA não tem fim !

Ó Poeta
vai tu próprio pela lama
suja-te na podridão da existência
faz da vida a tua cama e não durmas,
pergunta-te à consciência.

Foste íntegro, espalhaste tua alma pelo Mundo ?
andaste no mar ?
venceste marés ?
Morre o teu lugar não é aqui!
é lá no Além ... ao fundo
no INFINITO
onde poderás ser quem és,
BEMDITO !

............E para os vermes terrenos,
que de ti se riram tanto ...
serás Santo.

Sandra Zelly
13/2/1962.
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(Sandra Zelly é uma amiga. É autora de poemas lindos mas nunca os deu a conhecer publicamente. Tenho a honra de nesta janela divulgar alguns, com a permissão dela. Digam lá se não é uma pena permanecerem na penumbra duma gaveta?).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

DÚVIDAS

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Fotografias / Sentidamente

(Quando nos mares da minha intranquilidade se espelham as dúvidas)

ODORES
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A brisa e o vento,
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sul ou norte…

Já não sei se me trazem,

o odor solitário,

ao entardecer,

dum craveiro molhado,

ou o lamento

duma andorinha morta.

Jesus Varela

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domingo, 19 de setembro de 2010

DE QUEM É ESTA BRIGA (?)

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Fotografias / Sentidamente

Afirmas que brigámos. Que foi grave.
Que o que dissemos já não tem perdão.
Que vais deixar aí a tua chave
E vais à cave içar o teu malão.

Mas como destrinçar os nossos bens?
Que livro? Que lembranças? Que papel?
Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens.
Não te devolvo – é minha – a tua pele.

Achei ali um sonho muito velho,
Não sei se o queres levar, já está no fio.
E o teu casaco roto, aquele vermelho
Que eu costumo vestir quando está frio?

E a planta que eu comprei e tu regavas?
E o sol que dá no quarto de manhã?
É meu o teu cachorro que eu tratava?
É teu o meu canteiro de hortelã?

A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?
De quem é esta briga? Não me lembro.

Rosa Lobato de Faria

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A TODAS AS MENINAS TRISTES QUE CONHECI E ÀS QUE NÃO CONHECENDO SEI QUE EXISTEM

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Fotografia / Sentidamente
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MENINA TRISTE
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Vai menina!
Corre atrás da borboleta…
Defende o teu sonho assim:
Escondendo-te a chorar,
Entre as flores dum jardim,
Entre as árvores dum pomar.

Vai menina!
Corre atrás da borboleta…
Usa a tua fantasia.
Com ela vais enganar,
As mágoas do dia a dia,
Que não devias penar.

Vai menina!
Corre atrás da borboleta…
No bibe branco bordado,
A história da carochinha.
Um encanto ultrapassado,
Nessa tua cabecinha.

Vai menina!
Corre atrás da borboleta…
Tua roupa em desalinho,
Pareces voar também.
Na procura de carinho,
Reinventas pai e mãe.

Vai menina!
Corre atrás da borboleta…
Teu coração apertado,
Tanta angústia já sentida!
Tudo isso será passado,
À frente tens uma vida.

Jesus Varela

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sábado, 4 de setembro de 2010

LOUVOR À NATUREZA

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Fotografias / Sentidamente

Na enormidade dum momento
está inequivocamente escrito
todo o saber eterno e infinito.

No sopro imparável do vento!
Na tempestade acesa em guerra!
Na vaga indomável de enxurrada!
Nos rastejantes raios da trovoada!
No súbito e irado revolver da terra…

No equilíbrio tão doce quanto ameno,
vida a sorrir, em dia primaveril.
E na seca amplitude, o Verão febril
guardando no mar e céu, o azul sereno.
Melancólico o Outono mostra ainda
vagos sorrisos em tons amarelados.
Anúncio dos dias tristes e molhados,
dum Inverno que prepara a sua vinda…

E o homem nasce, cresce, vive e morre,
neste permanente cenário onde é actor.
Imprime marcas cultivando ódio e amor.
Mas indiferente, o tempo sempre corre!

Toada… cheiro… cor… luminosidade.
Inexplicável força… poder… grandeza.
Obra sublime é essa tua! Oh Natureza!
Único e absoluto domínio da verdade
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Jesus Varela

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

VISLUMBRE

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Fotografia / Sentidamente
NA OUTRA MARGEM

Atravessei o rio e foi além,
onde sempre cultivei os sonhos,
que ancorei o pensamento…

Meu cais das chegadas e partidas,
entre rostos uniformes e ausentes,
Iguais, num monótono rotinar,
gastando passos sobre passos,
para aquém das próprias vidas!
A pressa, vai ditando o dia a dia…
Fluxo de tempo a passar sem ser sentido,
como as águas do rio que vão correndo
sempre, num caminho já sabido…

Sentada num banco frente ao rio,
revivi um momento que já foi,
alheada de tudo o que mais há,
consciente que a hora era de sonho,
esquecida de mim, agitei asas
e fui ave, e voei, e planei,
lá bem para trás! Leve, com o vento…
Entre as nuvens que passavam,
vi, o sorrir dum olhar vago.
Na névoa cor de rosa,
Reconheci uma face que morreu…

Um lugar é sempre o mesmo,
E aquele é sempre o meu!

Jesus Varela

sábado, 14 de agosto de 2010

PERCURSOS

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Fotografias / Sentidamente

No alvorecer de cada aurora,
há uma esperança que chega,
no bico duma andorinha.

Em cada nova Primavera,
ressoam cânticos verdes
nos desatentos olhares diurnos.
E nas noites de insónia,
descansa nas estrelas
o sentido de todas as direcções.

Neste rodar de noites e dias,
de Primaveras e Invernos,
situo todas as promessas de prazeres
e afundo todos os infernos.

Jesus Varela

domingo, 8 de agosto de 2010

ÊXTASE

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Fotografia / Sentidamente

Foi por veredas e carreiros
que atingi esta falésia.

Pequena sou:
Perante a imensidão do mar;
frente à luta das ondas;
face ao persistente muralhar…

Pequenez que me inibe e atropela.
Numa insegurança de noite sem luar.

Jesus Varela

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domingo, 1 de agosto de 2010

ESCURIDÃO

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Fotografias / Sentidamente
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Há muito que o sol se foi!
Deixei-me ficar pacientemente
a receber o ténue calor da lua…

Quanto à luz, não me importei.
Ela era mais nobre, mais doce e discreta…

Distraída, deixei que uma nuvem tapasse o luar
e esqueci-me de acender uma vela.
Não pedi mais luz, não procurei mais calor.
E os olhos cerraram-se no escuro.
E os sentidos sumiram-se tiritando.

Sol… Lua… Nuvem…Vela…
Que importa?
Quando tanto é já passado
e quanto ficou perdido,
não mais será recuperado!

Jesus Varela