A história dá-nos uma imagem da mulher relegada para segundo plano, num mundo de que fazia parte e que só com o seu papel se poderia manter e continuar.
Desde quando? Há indícios que levam a pensar nem sempre ter sido assim. Vestígios de sociedades matriarcas e a importância da mulher representada como deusa, onde o destaque da representação avoluma, no simbolismo das suas profusas formas físicas, a importância da maternidade.
Analisando a história conhecida, comprovamos que em todo o mundo a mulher foi considerada secundária nas sociedades, cabendo-lhe no entanto tarefas muito importantes, tais como os cuidados com a família, a manutenção da vida doméstica, a manufactura de artefactos e primitivamente o recolectar alimentos passando depois a cultivá-los, enquanto o homem se ocupava da defesa e da caça.
Interessante se pensarmos, como algumas religiões conceberam a mulher, na explicação sobre a criação do mundo e dos homens. Um ser curioso e irresponsável mas com uma atitude de procura, tão igual à que hoje aclamamos na investigação por mais saber. A curiosidade de Eva, leva-a a comer o fruto proibido, iniciando desde aí um mundo longe do paraíso, mas este nosso mundo, com o bom e com o mau. Segundo a mitologia grega, Pandora, a primeira mulher criada por Zeus, por curiosidade, em desobediência e num gesto proibido, destapou uma ânfora cheia de desgraças, espalhando o mal sobre a Terra.
Apesar da secundariedade do seu lugar, houve mulheres que se destacaram no exercício do poder, representando os maridos ausentes, ou os filhos enquanto menores de idade e até como legítimas governantes, deixando marcas dum mando igual ou superior ao de muitos homens, pela positiva mas também algumas vezes, pela negativa.
Há vários registos de situações de mulheres que para aceder ao mundo dos homens, vestiram-se como eles e fizeram história, passando como incógnitas mas pagando caro, quando descobertas. Algumas foram combatentes nas guerras, outras pretendiam exercer profissões interditas ao mundo feminino ou frequentar cursos universitários, a que somente os homens tinham acesso. Lembremos ainda figuras lendárias como Joana d’Arc, heroína francesa, fez-se guerreira e dos 17 aos 19 anos, foi vencedora nas lutas contra os ingleses, até ser capturada e queimada viva ou Mary Read, pirata temida durante muitos anos e que morreu em 1720, numa prisão na Jamaica, onde estava prisioneira dos ingleses.
Tantas outras formas de fugir a um destino indesejado foram engendradas ao longo dos tempos. Como exemplo, as idas para os conventos, o que significava a fuga ao domínio masculino no lar e por vezes, a possibilidade de uma vida própria onde o saber era possível. Daí saíram mulheres de grande nível intelectual e artístico. Foi assim Herrad de Landsberg, abadessa de Hohenburg que viveu no século XIII e fez a primeira enciclopédia da autoria duma mulher, “Hortus Deliciarum”, (jardim das Delícias), artisticamente ilustrada e que se destinava ao ensino das suas religiosas. Há ainda o exemplo das mulheres que escrevendo, usaram pseudónimos masculinos (George Elliot, George Sand, entre outros).
Foi um longo caminho, marcado por lutas individuais e de grupo, mas sobretudo por sucessiva renovação das ideias e dos contextos sociais que trouxe as mulheres, à posição dos dias de hoje. Apesar do que ainda há para fazer, ficou para trás o tempo em que limitadas ao espaço caseiro e a trabalhos próprios e menores, definhavam perante os seus anseios e capacidades amputadas.
(Este texto escrito por mim, foi baseado numa parte do prefácio do livro "Histórias de Mulheres" de Rosa Montero. O citado prefácio, por ser longo e descritivo não me permitiu a sua transcrição.)
Desde quando? Há indícios que levam a pensar nem sempre ter sido assim. Vestígios de sociedades matriarcas e a importância da mulher representada como deusa, onde o destaque da representação avoluma, no simbolismo das suas profusas formas físicas, a importância da maternidade.
Analisando a história conhecida, comprovamos que em todo o mundo a mulher foi considerada secundária nas sociedades, cabendo-lhe no entanto tarefas muito importantes, tais como os cuidados com a família, a manutenção da vida doméstica, a manufactura de artefactos e primitivamente o recolectar alimentos passando depois a cultivá-los, enquanto o homem se ocupava da defesa e da caça.
Interessante se pensarmos, como algumas religiões conceberam a mulher, na explicação sobre a criação do mundo e dos homens. Um ser curioso e irresponsável mas com uma atitude de procura, tão igual à que hoje aclamamos na investigação por mais saber. A curiosidade de Eva, leva-a a comer o fruto proibido, iniciando desde aí um mundo longe do paraíso, mas este nosso mundo, com o bom e com o mau. Segundo a mitologia grega, Pandora, a primeira mulher criada por Zeus, por curiosidade, em desobediência e num gesto proibido, destapou uma ânfora cheia de desgraças, espalhando o mal sobre a Terra.
Apesar da secundariedade do seu lugar, houve mulheres que se destacaram no exercício do poder, representando os maridos ausentes, ou os filhos enquanto menores de idade e até como legítimas governantes, deixando marcas dum mando igual ou superior ao de muitos homens, pela positiva mas também algumas vezes, pela negativa.
Há vários registos de situações de mulheres que para aceder ao mundo dos homens, vestiram-se como eles e fizeram história, passando como incógnitas mas pagando caro, quando descobertas. Algumas foram combatentes nas guerras, outras pretendiam exercer profissões interditas ao mundo feminino ou frequentar cursos universitários, a que somente os homens tinham acesso. Lembremos ainda figuras lendárias como Joana d’Arc, heroína francesa, fez-se guerreira e dos 17 aos 19 anos, foi vencedora nas lutas contra os ingleses, até ser capturada e queimada viva ou Mary Read, pirata temida durante muitos anos e que morreu em 1720, numa prisão na Jamaica, onde estava prisioneira dos ingleses.
Tantas outras formas de fugir a um destino indesejado foram engendradas ao longo dos tempos. Como exemplo, as idas para os conventos, o que significava a fuga ao domínio masculino no lar e por vezes, a possibilidade de uma vida própria onde o saber era possível. Daí saíram mulheres de grande nível intelectual e artístico. Foi assim Herrad de Landsberg, abadessa de Hohenburg que viveu no século XIII e fez a primeira enciclopédia da autoria duma mulher, “Hortus Deliciarum”, (jardim das Delícias), artisticamente ilustrada e que se destinava ao ensino das suas religiosas. Há ainda o exemplo das mulheres que escrevendo, usaram pseudónimos masculinos (George Elliot, George Sand, entre outros).
Foi um longo caminho, marcado por lutas individuais e de grupo, mas sobretudo por sucessiva renovação das ideias e dos contextos sociais que trouxe as mulheres, à posição dos dias de hoje. Apesar do que ainda há para fazer, ficou para trás o tempo em que limitadas ao espaço caseiro e a trabalhos próprios e menores, definhavam perante os seus anseios e capacidades amputadas.
(Este texto escrito por mim, foi baseado numa parte do prefácio do livro "Histórias de Mulheres" de Rosa Montero. O citado prefácio, por ser longo e descritivo não me permitiu a sua transcrição.)