Lisboa - vista do Alto de Santa Catarina
Fotografias / Sentidamente
De qualquer ponto alto da cidade de Lisboa, avistamos um amontoado de telhados avermelhados, derramando-se entre vales e colinas e interceptado por ruas de tonalidades acinzentadas, umas direitas e outras mais sinuosas, num parecer estático e parado no tempo actual.
Mas a cidade também é vida a palpitar no dia a dia, pelo movimento contínuo de veículos e de pessoas indo e vindo, e pelo constante e característico barulho de fundo, como que um ruidoso respirar citadino, aglomerando pedaços de conversas e sons de carros, autocarros, aviões entre muitos outros.
A cidade é uma entidade dinâmica que vai mudando continuadamente, ao nível estrutural e vivencial. Tem uma história que foi deixando escrita ao longo do tempo. As suas pedras falam do passado, através dos musgos que as cobrem, mas também podemos ler nelas os acontecimentos e factos a que assistiram ou que lhes deram origem. São assim os monumentos, os palácios, palacetes, as típicas casas humildes…
A cidade foi crescendo sucessivamente conforme movimentos demográficos, e migratórios provocados por factores dominantemente sociais. A sua situação geográfica, a proximidade do rio e fenómenos naturais, como terramotos, também lhe determinaram profundas alterações.
Hoje estamos a deixar as nossas marcas. Passou o tempo dos pregões pelas ruas e das compras à porta ou nos pequenos estabelecimentos. Compra-se por atacado nos supermercados e hipermercados onde também se vai passear, ver montras ou simplesmente olhar o fluente movimento de pessoas a passar. Até os cafés, lugares de encontros e tertúlias, vão acabando sucessivamente para dar origem a espaços comerciais. Acabaram-se as conversas nas esquinas das ruas ou de janela para janela, onde os vizinhos se conheciam. Trancam-se as portas e olha-se desconfiadamente para quem viaja ao nosso lado, ninguém confia em ninguém.
Crescem os bairros suburbanos, como cogumelos, incaracterísticos e frios. Nascem e desenvolvem-se os luxuosos e caros condomínios fechados dentro da urbe, reconstruindo-se velhos edifícios, reabilitando-se palacetes e característicos recantos que no passado tiveram uma história e foram por exemplo, vilas operárias…
Para se saber um pouco mais do que foi e hoje é a cidade, a Câmara Municipal de Lisboa realiza passeios temáticos. Rota da Seda; Lisboa dos Aguadeiros; Lisboa dos Descobrimentos; Lisboa Romana; Lisboa Moura, entre outros. São percursos pedestres guiados, através de zonas específicas da cidade, parando nas ruas para falar das características arquitectónicas e das memórias históricas e sociais, visitando palácios, monumentos e igrejas. Por vezes, esses percursos estão ligados a figuras proeminentes que aí nasceram e viveram (Lisboa de Fernando Pessoa; Lisboa de Cesário Verde; Lisboa de Bordalo Pinheiro, etc.).
Estas visitas, absolutamente gratuitas requerem marcação prévia e têm grande afluência mas valem a pena. Já fiz algumas e conto continuar.
Pretendo que este texto seja uma introdução a outras postagens que intercaladamente irei publicando onde falarei da informação recolhida nesses percursos que vou efectuando.
Contactos:
Itinerários Temáticos
Câmara Municipal de Lisboa Direcção Municipal de Cultura
Divisão de Programação e Divulgação Cultural
Tel. 21 817 06 00 Fax: 21 817 05 47
E-mail: itinerarios.tematicos@cm-lisboa.pt